Medvedev afirma que Moscou vai abandonar pacto que limita arsenal nuclear se EUA insistirem no desdobramento de um escudo antimísseis na Europa
"Se os Estados Unidos quiserem o desdobramento de um sistema de defesa antimísseis na Europa, a Rússia se reserva ao direito de abandonar o novo tratado Start", afirmou, em sua primeira grande entrevista coletiva para 1.000 jornalistas. "Nós falaríamos então sobre desenvolver o potencial ofensivo de nossas capacidades nucleares. Este seria um cenário muito ruim, que nos faria voltar à época da Guerra Fria", acrescentou.
O presidente, que disse querer chamar a atenção de todos os sócios da Otan para este contexto, desconfia que o futuro escudo será apontado para a Rússia devido ao seu potencial nuclear. "Dizem que se trata do Irã ou de alguém mais. Mas eles não têm capacidades semelhantes, então é contra nós?", questionou. "Estamos dispostos a cooperar, mas acreditamos que receberemos as garantias de que o escudo antimísseis não será apontado contra nós", completou ainda, ressaltando que tem esperanças de que a Rússia receba as respostas a suas perguntas e que um modelo de cooperação seja elaborado.
Tratado nuclear - O novo Start, ratificado em janeiro deste ano, substitui o assinado em julho de 1991 entre os dois países, quando a União Soviética ainda existia. O acordo tem vigência de 10 anos, apesar de dar aos russos o direito de se retirar do tratado caso o escudo antimísseis na Europa avance. O documento reduz em 30% o número de ogivas nucleares, até 1.550 por país, e limita a 800 os vetores estratégicos, como mísseis intercontinentais, submarinos e bombardeiros.
Depois de chamar a atenção com as ameças à Otan, Medvedev foi questionado sobre sua intenção de concorrer às eleições presidenciais de 2012. Ele disse que pretende divulgar em breve a sua decisão sobre o assunto. "Caso decida fazer uma declaração neste sentido, farei. Não é preciso esperar muito mais tempo." Medevedev chegou à presidência russa em 2008, com o apoio de seu predecessor e hoje primeiro-ministro Vladimir Putin, que por sua vez ocupou o cargo entre 2000 e 2008 e não podia competir por um terceiro mandato.
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